Inquietudes
terça-feira, janeiro 20, 2004
  O capital intelectual duma organização recolhe cada vez mais as atenções do seu management. Estes activos são cada vez mais, tidos como preponderantes, na definição de uma posição competitiva e sustentável duma organização. Por estas razões verifica-se actualmente um grande esforço por parte das organizações em tirar o máximo de proveito destes activos quer para criar novos activos, quer para conseguir vantagens competitivas.
A chegada das novas tecnologias proporcionou ás organizações novas formas de gerir estes activos, proporcionado confortáveis e eficazes formas de partilha, de recolha e de armazenamento.

Criação de Know How
É de todo o interesse das organizações o desenvolvimento do seu know How, e desta forma muitas adoptam algumas prácticas com o objectivo de criar condições necessárias, para a estimular o aparecimento de Know How. Como exemplo, o Benchmarketing, auditorias da especialidade, workshops e a partilhas de boas prácticas têm sido algumas das práticas que muitas organizações têm seguido. As tecnologias da informação permitiram ao management criar infra estruturas que facilitam a gestão do conhecimento, desenvolvendo intranets, base de dados, repositórios de informação etc.

"Trough social and collaborative processes as well as an individual's cognitive processes (e.g., reflection), knowledge is created, shared, ampilfied, enlarged, and justified in organizational settings (Nonaka 1994)."

Nonaka identificou quatro modos de criação de conhecimento:
- "Socialization" que permite a interação social e a partilha de experiencias entre menbros da sociedade.
- "externalization" onde se destaca o diálogo, colaboração e onde os sitemas informáticos garantem formas bastante cómodas para a comunicação e o estimulo ao espirito de equipa.
- "internalization" a utilização de intranet que expoem grandes quantidades de informação proporcionará um aumento do conhecimento de cada individuo.
- "combination" interacção


Pesquisa e armazenamento
Uma vez que o conhecimento se cria e se aprende este tambem se esquece, existe então a necessidade de armazenar e de o disponibilizar. A memória da organização constitui então um aspecto importante no management do conhecimento de uma organização (Stein and Zwass 1995; Walsh and Ungson 1991).
Com recurso ás tecnologias podemos encontrar sofisticadas técnicas para o armazenamento e a sua disponibilização. No no que diz respeito ao accesso à informação o canceito de Intanet tem-se revelado bastante eficaz uma vez que qualquer alteração de informação pode ser de emediato notada por toda a organização, ao invés da necessidade de se distribuir brochuras por toda a organização. A redução do tempo entre a disponibilização e a apreensão por parte do destinatário tem sido bastante reduzida.

Transferência de conhecimento
O grande desafio que se coloca no desenvolvimento de um sistema de conhecimento numa organização centra-se na facilidade de acesso à informação independentemente do local e do tempo. O melhor tipo de mecanismo que permite a disponibilização de informação dependerá do tipo de informação que se pretende transferir. Podemos identificar alguns tipos de mecanismos: mecanismos formais tais como treino e visitas, canais pessoais onde se verifica uma transferencia de informação mais especifica entre individuos, o recurso a repositórios publicos de informação para uma transferência generalizada.
O recurso ás tecnologias de informação poderá facilitar todo o processo de codificação e classificação de conhecimento assim como proporcionar o uso de Links entre grupos e individuos fortalecendo assim a rede interna de conhecimento.

Aplicabilidade
Um dos aspectos importantes na determinação das vantagens competitivas reside na aplicabilidade do conhecimento que a organização detém. Uma vez mais as novas tecnologias podem desempenhar um papel importante, dado que permitem uma melhor captura, a actualização e o acesso a directivas da organização. Podemos centrar-nos nas intranet onde estas disponibilizam manuais de utilização, politicas da organização que muito contribuem para a redução do tempo de aprendizagem. As intranets proporcionam um conhecimento interno de cada individuo "aumentando-lhe a sua rede social interna", um aumento da memoria da organização e tambem o acesso a ferramentas de workflows que automatizam tarefas aumentando a eficiência e reduzindo a necessidade de comunicação e coordenação.

"IT and Knowledge management"
O uso de tecnologias de informação têm sido a primeira opção aquando da implementação de um sistema de Knowlegde Management e onde o conceito de intranet tem sido o mais explorado. Uma das questões que se tem discutido predende-se com o facto de se saber se o uso das tecnologias facilitam a criação de conhecimento e o seu uso ou se limita a aprendizagem resultando por vezes na aplicação de conhecimento em situações em que este não se aplica. Dentro de uma empresa o uso de tecnologias é crucial no desenvolvimento de conhecimento necessitando apenas um compromisso por parte do management em assegurar que os diferentes individuos ao utilizarem o conhecimento e o transformarem para as suas aplicações também o disponibilizam pra terceiros na sua versão. No que diz respeito à partilha de informação é evidente que as TI vieram acelerar e melhorar todo este processo assim como trazer mais transparência ao sistema de Knowlegde Management.  
sexta-feira, dezembro 12, 2003
  Inquietantes questões se nos colocam acerca da compreensão das sociedades e a sua evolução.

Yoneji Masuda um sociólogo japonês nascido em 1905 foi um dos principais responsáveis pela definição estratégica de um modelo de sociedade tecnológica para o Japão, foi também pioneiro no conceptualismo de sociedade de informação.
Num dos seus trabalhos “The information technology revolution”, Masuda, define uma nova sociedade como uma sociedade completamente diferente da sociedade industrial, uma sociedade onde o valor da informação é tido como o bem mais precioso.
Este trabalho de Masuda vem de encontro ao que a história nos tem revelado, uma história cheia de revoluções que foram provocando alterações de mentalidades, quebrando preconceitos, reajustando ideias levando as sociedades para estágios superiores. Este evoluir natural das sociedades está bem perceptível no nosso dia a dia, quando se aprende novas práticas que rompem com as anteriores, quando passamos a nossa informação por nós compilada à sociedade futura (os nossos filhos) etc. Nesta caminhada para uma sociedade evoluída podemos destacar grandes revoluções que marcaram épocas e deram contributos notáveis para a evolução da nossa espécie.
Primeiramente tivemos uma revolução agrícola, onde o poder estava na força braçal para amanhar as terras e onde a sociedade se via composta por famílias numerosas (muitos braços para trabalhar as terras).
A revolução industrial onde o dinheiro era sinal de poder, marca vincadamente a sociedade na altura. A utilização das máquinas veio substituir a força dos braços.
No trabalho de Masuda consegue-se perceber que vivemos neste momento uma nova revolução, a revolução da informação.
Deter informação é deter poder e é esta busca pelo poder (muitas vezes mal interpretado) que origina conflito e o confronto de ideias, ambientes ideais para o aparecimento de novas ideias (inovação) e novas posturas.
Masuda no seu trabalho identifica algumas diferenças entre a revolução da informação e a revolução industrial, onde destaco o aparecimento de uma nova sociedade humana completamente diferente da sociedade actual. Este destaque justifica-se, pelo simples facto de que, o poder deixa de estar indexado aos valores materiais e passa a estar associado à produção de informação directamente associado à condição humana.
Acredito que caminhamos para um futuro onde:
 As inúmeras doenças que fustigam as sociedades muitas vezes provenientes de falta de informação nas escolas, falta de formação dos pais e a falta de condições irão diminuir drásticamente.
 A espécie humana tenderá a ter um desenvolvimento semelhante em vários pontos do globo uma vez que esta tenderá a adoptar práticas (testadas e discutidas em outros pontos do globo) aceites como correctas por uma comunidade mais exigente e diferenciada. Estas práticas fácilmente se difundirão e serão postas em prática quase que instantaneamente.
 A racionalização dos recursos a nível mundial será uma consequência das mais evidentes. Os desperdícios que se verificam em muitos países irão ser convertidos e canalizados para países onde a fome é a maior luta. A título de exemplo podemos olhar para os Hipermercados que desperdiçam toneladas de alimentos que poderia ser evitado se existisse uma política de reabastecimentos concertada.

Estabelecendo uma ponte para a realidade Portuguesa, acredito que Portugal está a perder uma oportunidade única para se posicionar junto do grupo dos países mais desenvolvidos no que concerne a tecnologias de informação. Portugal já demonstrou indicadores positivos no que diz respeito à penetração de novas tecnologias, o que proporciona um ambiente interessante para se proceder a uma informatização total.
Portugal tem já bons exemplos de successo onde destaco a via verde e as caixas multibanco.
Arriscando mais algumas oportunidades acredito que:

 Poderíamos imaginar uma sociedade onde com o simples cartão BI pudéssemos ser identificados e cadastrados nas diferentes instituições (Bancos, Segurança Social, Hospitais …) ao invés da necessidade de vários cartões para todo o tipo de instituição.

 Poderíamos imaginar que em cada compra que se fizesse, a transacção efectuaria os devidos descontos nas diferentes instituições (pagamento do Iva, irc, etc.) ao invés de termos de alimentar uma estrutura gigantesca para recepcionar e processar esses dados mensalmente. E acabando de uma vez por todas com o incomodo do dinheiro em moeda ou em papel

 Poderíamos imaginar centenas de tarefas que poderiam ser feitas no conforto do lar sem filas de espera.

 Poderíamos imaginar o histórico de um qualquer carro a ser de imediato identificado apenas com recurso à sua matricula e em questão de segundos. Facilitando muitas vezes a vida às autoridades publicas alertando de imediato as incongruencias no respectivo veículo.

 Poderíamos imaginar o cruzamento de dados a fim de se conseguir identificar possiveis fugas e desvios no aparelho fiscal. Assunto que tem conseguido obter alguns adeptos ultimamente.

...

É uma oportunidade porque apenas é necessária a vontade politica e a coragem para se desmantelar barreiras, porque a tecnologia já a temos e pessoas para a operar também é urgente inovar, informatizar dar uso ao que já dominamos bem.

Mas quando, numa universidade (o berço) o aluno tem de preencher na altura das matrículas uma série de documentos que foram preenchidos em anos anteriores, quando as salas de informática não reunem as condições minimas, quando o sistema de avaliação ainda se encontra preso a prácticas antigas, universidade esta, que nas suas aulas defende as novas tecnologias de informação, estamos perante um claro indicador de que estamos cada vez mais perto de uma perda de oportunidade.

 
Como será a nossa sociedade. O que deve ser feito. As oportunidades.

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